Classificação ISO de salas limpas: como funcionam os níveis e por que eles são tão importantes
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Na prática, a classificação ISO funciona como uma “escala de limpeza” da sala
Quando falamos em salas limpas, uma das primeiras referências técnicas que aparecem em qualquer projeto é a ISO 14644.
É essa norma que define os critérios internacionais para classificação da limpeza do ar em ambientes controlados, determinando quantas partículas podem existir suspensas no ambiente de acordo com o nível de exigência da operação.
Na prática, a classificação ISO funciona como uma “escala de limpeza” da sala.
E essa definição impacta diretamente todo o projeto da instalação — desde o sistema HVAC até a filtragem, pressão interna, monitoramento e fluxo operacional.
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O que é a ISO 14644?
A ISO 14644 é a principal norma internacional para salas limpas e ambientes controlados.
Ela surgiu para padronizar critérios de projeto, validação, operação e monitoramento desses ambientes, substituindo antigos padrões como o
Federal Standard 209E, utilizado anteriormente nos Estados Unidos.
A norma é dividida em diferentes partes, incluindo:
- classificação da limpeza do ar;
- métodos de teste;
- construção e start-up;
- operação;
- monitoramento contínuo;
- limpeza de superfícies;
- controle químico e nanopartículas.
Entre todas elas, a ISO 14644-1 é a mais conhecida, pois trata especificamente da classificação da limpeza do ar por concentração de partículas.
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Como funciona a classificação ISO?
A lógica é relativamente simples: quanto menor o número da classe ISO, mais limpo o ambiente precisa ser. Ou seja, na Classe ISO 5 o nível de controle extremamente rigoroso, enquanto na Classe ISO 8 o nível de controle é regular.
A classificação é determinada pela quantidade máxima permitida de partículas suspensas no ar, medidas em partículas por metro cúbico.
Essas partículas são microscópicas e invisíveis a olho nu, mas podem comprometer produtos farmacêuticos, cosméticos, veterinários e alimentícios.
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Por que isso é tão importante na indústria farmacêutica?
Em processos farmacêuticos, principalmente os estéreis, pequenas contaminações podem inviabilizar lotes inteiros de produção.
Por isso, órgãos regulatórios como ANVISA, EU GMP e FDA exigem ambientes controlados para determinadas etapas produtivas.
A ISO 14644 serve justamente como referência técnica para garantir que o ambiente possui capacidade de manter os níveis adequados de limpeza do ar.
Segundo o próprio guia da ISO 14644:2015, o objetivo da norma é especificar a classificação da limpeza do ar “em termos da concentração de partículas suspensas em salas limpas e ambientes controlados”.
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Onde cada classificação costuma ser aplicada?
Cada tipo de processo exige um nível diferente de controle.
ISO 5
É uma das classificações mais rigorosas utilizadas na indústria.
Muito comum em:
- envase asséptico;
- fabricação de medicamentos estéreis;
- fluxo laminar;
- áreas críticas de manipulação.
Nesses ambientes, o controle de partículas é extremamente severo.
ISO 6
Normalmente utilizada em áreas de apoio a processos altamente críticos.
Aplicações frequentes:
- preparação de materiais;
- áreas de suporte estéril;
- laboratórios específicos.
ISO 7
Talvez a classificação mais comum na indústria farmacêutica brasileira.
Muito utilizada em:
- manipulação de sólidos;
- pesagem;
- produção não estéril;
- embalagem controlada.
Também aparece bastante em cosméticos e farma animal.
ISO 8
Aplicada em ambientes com menor criticidade, mas que ainda exigem controle ambiental.
Exemplos:
- áreas de apoio;
- corredores técnicos;
- armazenagem controlada;
- determinados processos alimentícios.
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O que mudou na atualização ISO 14644-1:2015?
A revisão de 2015 trouxe mudanças importantes para o setor.
Uma das principais alterações foi no método de amostragem de partículas dentro da sala limpa.
Antes, a definição dos pontos de coleta seguia uma abordagem mais flexível. A atualização aumentou a precisão estatística das medições e passou a exigir uma quantidade maior de pontos de amostragem em muitos casos.
Outra mudança relevante foi a eliminação do cálculo chamado UCL (Upper Confidence Limit), anteriormente utilizado em salas com poucos pontos de medição. Agora, cada ponto é analisado individualmente.
Além disso, a norma deixou de utilizar a antiga lógica de “classificação por fórmula” e passou a trabalhar com tabelas de classificação mais objetivas.
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A mudança envolvendo partículas de 5 microns
Uma das alterações que mais gerou discussão na indústria farmacêutica foi a remoção do limite específico de partículas ≥5,0 µm da tabela ISO Classe 5.
Para atender às exigências do setor farmacêutico, a revisão passou a utilizar o chamado “M Descriptor”, que permite indicar separadamente limites relacionados às macropartículas.
Na prática, isso impactou diretamente procedimentos de monitoramento e qualificação de ambientes GMP.
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Classificação ISO vai muito além da filtragem do ar
Muita gente associa a classificação apenas aos filtros HEPA, mas a realidade é mais complexa.
A capacidade de manter uma determinada classe ISO depende de diversos fatores trabalhando em conjunto:
- sistema HVAC;
- pressão diferencial;
- renovação do ar;
- vedação da sala;
- fluxo operacional;
- materiais construtivos;
- monitoramento contínuo;
- comportamento dos operadores.
Ou seja: não existe sala limpa eficiente sem um projeto integrado de engenharia.
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A importância da validação e monitoramento
Construir a sala é apenas parte do processo.
Para manter conformidade com a ISO 14644 e normas regulatórias, o ambiente precisa passar por validações periódicas.
Entre os testes mais comuns estão:
- contagem de partículas;
- integridade dos filtros HEPA;
- medição de pressão diferencial;
- testes de recuperação;
- análise de fluxo de ar.
Além disso, os equipamentos de contagem de partículas também precisam seguir requisitos específicos definidos pela ISO 21501-4.
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O projeto correto evita custos futuros
Um erro muito comum é superdimensionar ou subdimensionar a classificação da sala limpa.
Ambientes mais rigorosos exigem maior consumo energético, sistemas HVAC mais robustos e custos operacionais mais elevados.
Por isso, a definição da classificação ideal deve considerar:
- processo produtivo;
- exigências regulatórias;
- risco de contaminação;
- capacidade produtiva;
- escalabilidade futura;
- custo operacional.
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Engenharia especializada faz diferença
Salas limpas são ambientes altamente técnicos e qualquer falha de projeto pode gerar impactos relevantes na operação, na produtividade e até em auditorias regulatórias.
Por isso, o desenvolvimento da instalação precisa integrar arquitetura, climatização, controle ambiental, automação e operação desde as fases iniciais.
A Multipla Engenharia atua no desenvolvimento, fabricação e montagem de salas limpas para indústrias farmacêuticas, químicas, alimentícias, cosméticas e veterinárias, criando projetos alinhados às exigências técnicas e regulatórias de cada aplicação.



